Tenho aquela sensação de que o tempo passa por mim como água que flui para o mar,
Sussurrando levemente às margens por onde passa,
Rodeando devagar as pedras que se interpõem no caminho.
E essas águas, a mim me levam. Não ofereço qualquer resistência,
apenas sacudo pequenos remos de madeira que roçam suavemente o fundo do rio,
agitando a gravilha pequena da vida.
Noutras margens por onde passei fui jovem e guerreira,
Agora sou apenas mãe.
As próximas margens que me virem passar,
repararão no meu regaço.
Nele embalarei a minha própria luz,
a vida que criei em mim e que dei ao mundo para amar.
E quando os meus braços não poderem sustentar mais o peso da minha própria imortalidade,
Então, o rio ganhará asas e depressa me quererá levar para o mar.
Porque o preço a pagar é alto: paciência, amor, dor e morte.
Por ela, perderei as minhas asas e ganharei gravidade...
A suficiente para que as entranhas da terra me possam reclamar o corpo
sugando-o de toda a vida.
Mas no coração levarei apenas felicidade, um sorriso perene,
porque do meu corpo gerei semente da vida e contribuí para que exista sempre Juventude e Beleza
no Jardim do Mundo...
E uma flor com o meu nome...

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