quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sinto-me como se remasse num barquinho rio abaixo.

Tenho aquela sensação de que o tempo passa por mim como água que flui para o mar,

Sussurrando levemente às margens por onde passa,
Rodeando devagar as pedras que se interpõem no caminho.

E essas águas, a mim me levam.
Não ofereço qualquer resistência,
apenas sacudo pequenos remos de madeira que roçam suavemente o fundo do rio,
agitando a gravilha pequena da vida.

Noutras margens por onde passei fui jovem e guerreira,

Agora sou apenas mãe.

As próximas margens que me virem passar,
repararão no meu regaço.

Nele embalarei a minha própria luz,
a vida que criei em mim e que dei ao mundo para amar.

E quando os meus braços não poderem sustentar mais o peso da minha própria imortalidade,

Então, o rio ganhará asas e depressa me quererá levar para o mar.

Porque o preço a pagar é alto: paciência, amor, dor e morte
.


Por ela, perderei as minhas asas e ganharei gravidade...

A suficiente para que as entranhas da terra me possam reclamar o corpo

sugando-o de toda a vida.


Mas no coração levarei apenas felicidade, um sorriso perene,

porque do meu corpo gerei semente da vida e contribuí para que
exista sempre Juventude e Beleza
no Jardim do Mundo...


E uma flor com o meu nome...

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